quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Fóssil encontrado no Rio Grande do Sul

Uma viagem de cinco integrantes do Departamento de Paleontologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e da UFPI (Universidade Federal do Piauí), prevista para durar oito dias e com custo pouco maior de R$ 3 mil, ofereceu uma das maiores contribuições ao campo científico brasileiro nas últimas décadas.

A expedição revelou que um fóssil, encontrado em uma zona entre São Gabriel e Bagé, era de uma espécie de predador anterior aos dinossauros. E que não havia sido ainda catalogada pela comunidade científica internacional. O Pampaphoneus biccai se alimentava de herbívoros menores que ele e tinha as dimensões semelhantes a um leão – cerca de 3 metros de comprimento da cauda à mandíbula e 300 quilos de peso.

O período que o Pampaphoneus viveu mostra o seu valor para a comunidade científica: a datação por estrôncio mostrou que o animal é do período permiano da Era Paleozóica, ou seja, viveu há mais de 260 milhões de anos. Os dinossauros, para se ter uma ideia, são do período cretáceo e viveram entre 145 milhões e 65 milhões de anos. A pesquisa mostrou também como era a vegetação e o clima da época. O paleontólogo Juan Cisneros, chefe da equipe que foi a campo em 2008, explica que o clima da antiga Gondwana (os continentes eram uma massa unida; o Estado, por exemplo, foi separado da atual região da África do Sul) era diferente.

“Tudo era mais seco. Tinha muitas dunas no período permiano, mas as florestas também já estavam presentes”, explicou. Feliz com a repercussão da pesquisa, que será publicada na revista norte-americana “Proocedings of the Nacional Academy of Scientes”, o professor Cesar Schultz, da paleontologia da UFRGS, disse que a equipe já tem um novo projeto em andamento, que deve revelar mais descobertas em breve. “O governo federal aprovou uma pesquisa que vai envolver também Santa Catarina e Paraná. No ano que vem deveremos ter mais novidades. Quem sabe um dinossauro?”, brincou.

Como aconteceu:

Google Earth colaborou

A descoberta dos cientistas gaúchos só foi possível pela análise das imagens através da ferramenta Google Earth. Nela, os paleontólogos localizaram um terreno semelhante ao do fóssil do Pampadromaeus barberenai, dinossauro descoberto no ano passado, em Agudo.

O professor Juan Cisneros, salvadorenho de nascimento mas morando há 12 anos no Brasil, diz que a busca por novos fósseis segue um padrão, como aconteceu com o Pampaphoneus biccai. “Nós tentamos reconhecer lugares A cor das rochas, a textura, o tipo de erosão, tudo segue um padrão”, diz.

Cisneros sintetizou o trabalho de um paleontólogo em campo. “Acordamos cedo, viajamos por horas e passamos o dia debaixo de sol ou chuva procurando por pistas. E comendo só pão com salame”, exclamou.

Crânio de dinossauro reconstruído em 3D

Uma equipe de pesquisadores espanhóis reconstruiu em 3D a cavidade craniana de um dinossauro da espécie Spinophorosaurus nigeriensis, de 165 milhões de anos. As imagens revelaram que esses exemplares possuíam um ouvido interno muito desenvolvido, característica relacionada à coordenação dos olhos e da cabeça. Dados do trabalho foram publicados na publicação de livre acesso "PLoS One" por cientistas do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), da Espanha.

O trabalho contou também com a colaboração de pesquisadores da Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha, da Universidade de Ohio (EUA) e da Universidade Humboldt de Berlim (Alemanha).
O estudo foi feito em fósseis encontrados no Níger em 2006 que pertencem ao período Jurássico Médio (entre 175 milhões e 161 milhões de anos atrás), informa o CSIC. A descoberta sugere que este dinossauro, apesar de ser um animal de menor ágil que seus ancestrais, apresentava um aparelho vestibular (conjunto de órgãos do ouvido interno) considerável.

A nota indica que os animais Spinophorosaurus eram quadrúpedes herbívoros de pescoço longo que costumavam alcançar 15 metros de comprimento e cujas caudas apresentavam protuberâncias ósseas como espinhos. Os órgãos do ouvido interno eram a base do equilíbrio e tinham três canais semicirculares encarregados de detectar aspectos da movimentação da cabeça do animal. Esses canais são mais alongados em animais ágeis e mais curtos nos mais lentos (G1).

Exposição de Dinossauros em SP

Uma exposição no Shopping Aricanduva, na Zona Leste de São Paulo, reúne dinossauros gigantes, em tamanho real. A floresta montada tem quase 3 mil m². A ideia da exposição "Era T-rex" é fazer com que o visitante interaja com os dinossauros ouvindo seus gritos, sentindo cheiros, tocando seus corpos. É possível caminhar pela escuridão de uma floresta. Os efeitos visuais e sonoros reproduzem chuvas e explosões de vulcões. A mostra reúne 40 réplicas de dinossauros e o visitante poderá assistir a um filme 5D sobre os animais. O passeio é conduzido por um guia.

O visitante caminha no escuro com dinossauros gigantes andando ao seu lado. A experiência termina em uma área interativa, onde paleontólogos explicam as características da época e dos dinossauros. A exposição “Era T-rex” vai até o dia 17 de abril. O horário de funcionamento é de segunda a sábado, das 14h às 22h. Os ingressos custam R$ 30 (meia-entrada por R$ 15) e podem ser comprados pela internet ou no local. Crianças com menos de 4 anos têm entrada gratuita. Para maiores detalhes ou para comprar ingressos, visite o site oficial do evento e tenha um bom divertimento: http://www.eratrex.com.br/.