segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Restos de dinossauros achados na Argentina

A Patagônia argentina se consagrou como "estrela" do campo paleontológico com a descoberta de uma espécie de dinossauro de 190 milhões de anos de idade, que dá novas pistas sobre a vida pré-histórica.

"Não tinham sido registrados achados destas características na região. É uma descoberta importante porque permitirá conhecer a diversidade do ambiente nessa época", explicou à Agência Efe o pesquisador Santiago Bessone, do Museu Egídio Feruglio (MEF) da cidade de Trelew, entidade a cargo da expedição, na qual também participaram cientistas americanos e europeus.

Depois de uma longa pesquisa, os especialistas descobriram na colina Bayo, situado a cerca de 80 quilômetros da localidade de Gastre, na Patagônia argentina, restos de pelo menos dois dinossauros que viveram aparentemente no período Jurássico, do qual não se têm muitos dados, assinalaram especialistas do museu.

Os cientistas suspeitavam que na região podia haver parte de esqueletos de dinossauros da família dos saurópodos, que mediam entre 15 e 20 metros de comprimento, tinham pescoço longo, cabeça pequena, grandes patas e uma imponente cauda, e se alimentavam à base de ervas.

Estes dinossauros habitaram a Terra em momentos em que os mamíferos ainda não existiam e quando o clima e a flora eram muito diferentes dos atuais, disseram os cientistas.

"A expedição, realizada no mês passado, durou cerca de 20 dias e agora estamos em plena etapa de estudo para analisar em detalhe os restos", disse Bessone, membro da equipe dirigida por Diego Pol, que atualmente continua em campanha na Patagônia, no sul do país.

Durante as pesquisas, financiadas por instituições científicas alemãs, os pesquisadores encontraram numerosos ossos, muitos deles encaixados em pesados blocos de rocha, que ainda não terminaram de transferir da região da descoberta, a cerca de 1.400 quilômetros ao sul de Buenos Aires.

Os esqueletos não estão completos, mas se conseguiu recolher ossos de patas traseiras e dianteiras, da cintura e da coluna vertebral.

Os pesquisadores também encontraram "restos de répteis voadores muito primitivos" da família dos pterossauros, que mediam mais de um metro de comprimento e eram ágeis em seu voo, para o qual tinham os ossos ocos, detalhou Bessone, que participou da expedição junto com Mariano Caffa.

Na pesquisa - financiada pela Sociedade Científica Alemã e pelo Museu da cidade alemã de Munique - tomaram parte especialistas desse país, além de especialistas do Museu de Denver, da Universidade do estado da Pensilvânia e da Universidade de Cornell, dos EUA.

A Patagônia argentina se transformou em epicentro de descobertas de restos de esqueletos de animais que viveram há milhões de anos, os quais estão disseminados em vários terrenos e até podem ser vistos em uma simples caminhada pela região.

Em dezembro passado, um grupo de especialistas argentinos também descobriu uma jazida paleontológica na província de Neuquén, onde achou restos fósseis de dinossauros com 130 milhões de anos de idade.

Por agora, inclusive, está em turnê pela Europa a inédita mostra "Dinossauros gigantes argentinos", que tem como objetivo apresentar o processo evolutivo destes animais desde suas origens, há cerca de 230 milhões de anos, até sua extinção há 65 milhões.

Duas das estrelas da exposição são o Argentinosaurus huinculensis, uma réplica do maior dinossauro herbívoro achado até hoje, e o Giganotosaurus carolinii, o maior entre os carnívoros conhecidos.

A Argentina tem uma grande riqueza neste campo, com peças "fabulosas" que surpreenderam a comunidade científica internacional, destacou recentemente Alejandro Kramarz, chefe da Divisão Paleontológica do Museu Argentino de Ciências Naturais de Buenos Aires.

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